Being a boy mum

Educar um rapaz depois de reconstruir a vida do zero é uma missão intimamente pessoal e, ao mesmo tempo, abertamente política.

 Conheço de cor o preço que se paga quando uma mulher assume a gestão da casa, a carga mental e o suporte emocional enquanto o outro apenas ocupa o espaço. Se eu não desconstruir esse privilégio dentro da minha própria casa, estaria a perpetuar, na geração seguinte, exatamente as dinâmicas que me feriram no passado.

Passei demasiado tempo da minha vida a dar tudo até me apagar, a carregar o peso do trabalho invisível e a suportar o custo de relações onde a minha independência acabou por ser uma ameaça. A minha história pessoal foi marcada por cedências silenciosas até ao dia em que disse basta, assumi as minhas cicatrizes e ergui barreiras inegociáveis para proteger a minha paz. Por isso, quando olho para o meu filho, sei que a forma como o educo não vem de manuais ou de teorias abstratas. Vem da minha própria pele e daquilo que recusei continuar a viver.

O feminismo que lhe quero passar não se faz com discursos morais, faz-se nas escolhas diárias e no meu próprio exemplo. Faz-se quando lhe mostro competências básicas de sobrevivência humana, e não tarefas com género atribuído. Ele precisa de me ver como uma pessoa inteira, uma mulher que o ama profundamente, mas que também tem a sua carreira, a sua vida e linhas vermelhas que ninguém ultrapassa. Se eu me anulasse em nome do conforto dele, estaria a ensiná-lo a esperar que o mundo, e no futuro outra mulher, continuasse a servir de amortecedor para a sua existência.

Tudo aquilo por que passei ensinou-me o valor incalculável da autonomia. O meu compromisso de hoje é garantir que não entrego ao mundo mais um homem que precise de ser reeducado pelas mulheres com quem se vai cruzar. Quero que ele cresça a olhar para a igualdade, para a divisão justa do trabalho e para a dignidade feminina não como um favor ou uma concessão, mas como o único ponto de partida possível. É o fecho do meu próprio ciclo: transformar a minha experiência na certeza de que estou a criar um homem seguro, justo e consciente.

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