Regressar a Portugal no Verão traz sempre aquele misto de aconchego e vertigem. Há uma beleza agridoce em pisar solo familiar, alimentada pela expectativa de um descanso merecido e pelo abraço às origens. Mas a verdade é que as férias de quem vive no estrangeiro raramente cumprem a promessa de descanso absoluto. Mal chegamos, o relógio começa a correr a uma velocidade impiedosa, e a poesia do regresso transforma-se rapidamente numa logística exigente.
A necessidade de visitar toda a gente, de desdobrar o tempo para conseguir dar atenção à família e aos amigos, faz com que estes dias raramente pareçam férias. Na realidade, não estamos a fazer uma pausa, estamos apenas a mudar de tecto, a transitar de uma casa para a outra. E com essa mudança vem a bagagem das obrigações. Continuam a existir assuntos por resolver nesta outra casa, coisas práticas por tratar e compromissos que não tiram licença só porque estivemos longe. O tempo para parar, pousar os ombros e simplesmente não fazer nada acaba por ser engolido pela urgência de cumprir com tudo e com todos.
Foi precisamente esta azáfama dos últimos tempos, dividida entre os preparativos da viagem, a gestão da rotina e a intensidade destes dias em família, que fez o ritmo do blog abrandar. A vida real exigiu presença total e as palavras tiveram de ficar em compasso de espera. Mas este silêncio é apenas uma pausa necessária para viver e absorver o momento. Em breve estarei de volta, com as energias recarregadas e novas histórias para partilhar por aqui. Bom Verão!