Dos relvados do mundo à magia de Paris: o fim de um ciclo

Se 2018 parece distante, as memórias que guardo desse ano são tão vivas que quase consigo ouvir a multidão nos estadios russos, onde vivi várias semanas a trabalhar no Mundial de Futebol. Foi simultaneamente a melhor e a pior experiência profissional da minha vida, e quando acabou, decidi que era tempo de fazer outra coisa e aceitei o cargo de Chefe de Projeto na FIFA Foundation.

Os primeiros anos na Fundação foram, sem dúvida, incríveis. Tive o privilégio de trabalhar em projetos com um propósito real, em lugares que me marcaram para sempre. Lembro-me da emoção de organizar um jogo de lendas para as crianças de uma favela em São Paulo, ou das missões em Moçambique, no Malawi e no Zimbabué, onde fomos apoiar comunidades locais devastadas por grandes cheias. Levei também um grupo de voluntários ao Lesoto, para trabalhar com uma população fustigada pelo impacto da SIDA, e nesses momentos, senti que o meu trabalho tinha um impacto humano profundo.

Depois, veio o Covid.

A pandemia trouxe o isolamento na Suíça e, com ele, uma clareza desconfortável. Percebi que aquele país nunca tinha sido, nem seria, a minha casa. O sentimento de não pertença tornou-se insuportável e, no final de 2020, decidi trabalhar uns meses a partir de Portugal. Foi ali, na casa que também já não era casa, que decidi que o meu tempo na Suíça tinha chegado ao fim.

Profissionalmente, os últimos tempos na organização tinham-se tornado pesados. Sentia-me frustrada, por vezes miserável, presa num contexto que já não ressoava com quem eu era ou com o que queria construir. Sabia que tinha dado tudo o que tinha para dar e que precisava de uma mudança radical de cenário.

Decidi que o próximo passo não seria apenas sobre uma carreira, mas sobre bem-estar. Procurei um lugar onde acreditasse que pudesse ser genuinamente feliz, um ambiente que trouxesse de volta o brilho nos olhos. Foi assim que a Disneyland Paris entrou na minha história, fechando a porta aos estádios para abrir as portas de um mundo onde a magia, finalmente, fazia sentido.

Mais uma vez, a viagem continua.

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