Escrever para não esquecer: Onde estive desde 2019?

O último post deste blog data de 2019. Parece que foi noutra vida, e, de certa forma, foi mesmo. Pouco depois, o mundo parou, mas a minha vida decidiu seguir o caminho oposto e transformou-se numa verdadeira montanha-russa.

Sinto que vivemos num tempo em que passamos horas a consumir o que os outros fazem, a ver passar imagens e vidas filtradas, sem produzirmos nada que seja verdadeiramente nosso. Sinto uma vontade urgente de inverter esse ciclo. Tenho vontade de voltar a produzir, de voltar a traçar as linhas da minha história, nem que seja pelo medo visceral de esquecer tudo o que vivi e superei nos últimos anos.

O resumo parece simples, mas a vivência foi complexa. Estive em Zurique até novembro de 2021, altura em que troquei as montanhas suíças pelas luzes de Paris. Em outubro de 2022, a minha vida ganhou um novo eixo com o nascimento do meu filho. E, como se a maternidade não fosse reviravolta suficiente, o início de 2024 trouxe-me a separação e o desafio de descobrir o que é a maternidade a solo.

Passei por momentos duros, daqueles em que parece que o chão nos foge. Reinventei-me. Fui muito feliz, muitas vezes. É verdade que, desde o Covid e desde que fui mãe, viajo muito menos no sentido geográfico, mas sinto que vivo muito mais. As viagens agora são internas, mais profundas e, muitas vezes, mais exigentes.

Este blog volta a ser o meu caderno, um lugar para registar a metamorfose de quem deixou de "ir" tanto para fora para aprender a "ficar" e a construir, com firmeza, o seu próprio lugar no mundo.

Estamos de volta, porque as peripécias não podem ficar guardadas apenas na memória.

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