Maternidade a solo ou quando a fundação e o tecto são a mesma pessoa

Muitas vezes, a narrativa da maternidade a solo num país estrangeiro é contada como uma ausência total de ajuda, mas a minha realidade tem uma nuance diferente. Eu tenho amigos maravilhosos, pessoas que se tornaram a minha família por escolha e que sei que estariam lá se eu pedisse. No entanto, existe um abismo entre ter quem ajude e ter a facilidade de pedir. Não é o mesmo que ligar a uma mãe ou a uma irmã, pedir um favor a um amigo exige uma superação da nossa própria vontade de não incomodar, de não ser um peso, de manter a nossa independência intacta. Na ausência da espontaneidade familiar, cada pedido de ajuda é um exercício mental de pesagem.

No dia a dia, a pressão que sinto não vem de fora, não vem do meu emprego ou dos meus superiores. Pelo contrário, vem de mim própria, da minha necessidade visceral de estar ao meu melhor nível em todas as frentes, a toda a hora. Quando não posso ficar mais cinco minutos no escritório para terminar um detalhe porque o portão da escola não espera, a frustração que sinto é comigo mesma. É o conflito entre a profissional que quer a perfeição e a mãe que quer a presença absoluta. É a culpa de sentir que, ao tentar ser excelente em tudo, a vida me está a passar ao lado como um borrão de tarefas e prazos, onde o aproveitar se perde na logística.

Cada vez que ele adoece, cada consulta médica, cada urgência pediátrica, sou eu que tenho de interromper o trabalho, que tenho de pedir desculpa por faltar, que tenho de gerir o olhar de quem, do outro lado, nem sempre compreende que não há plano B. Existe um peso imenso em saber que, se eu falhar, ninguém me segura a rede. E sinto que estou sempre a falhar a alguém, mesmo quando estou a dar tudo.

Depois, há a realidade financeira, aquela de que pouco se fala. Educar um filho sozinha, sem qualquer apoio financeiro de parte alguma, é um desafio hercúleo. Manter um apartamento grande o suficiente para que ele tenha o seu quarto, o seu espaço, a sua intimidade, numa zona onde o custo de vida é implacável, exige uma ginástica orçamental que não permite erros. Sou eu que pago cada cêntimo da sua segurança, do seu conforto e do nosso futuro, e essa responsabilidade, embora me dê orgulho, também me rouba o sono.

Viver assim é ser o pilar que sustenta o tecto, a fundação que segura a casa e a pessoa que, no fim do dia, ainda tenta encontrar espaço para ser apenas a Catarina. É estar em estado de alerta permanente. É gerir o cansaço, a solidão das decisões importantes e a angústia de sentir que o tempo foge entre as mãos. Não há romantismo nesta exaustão, há apenas a coragem bruta de quem sabe que, apesar de tudo, ele precisa de mim, e por ele, eu continuo a erguer este mundo, um dia difícil de cada vez.

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